OHB no tratamento de LPP em pacientes internados com Covid-19

De acordo com o IBEPMH, a pandemia do Covid-19 tem levado um alto percentual de pacientes com diagnóstico positivo a serem internados em leitos de UTI (cerca de 30% na cidade de São Paulo). O tempo médio de permanência de um paciente comum em uma UTI hospitalar é de 5 dias. Já um paciente grave com coronavírus pode estender a permanência para 11 dias, segundo Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Com as UTI’s sobrecarregadas, sem as devidas ações preventivas, este longo período submetido à ventilação mecânica em paciente com imobilidade no leito pode levar ao desenvolvimento de Lesões por Pressão (LPP).

A LPP em pacientes internados é considerada não só no Brasil, mas também mundialmente, como problema grave e representa importante desafio em relação aos cuidados prestados aos pacientes hospitalizados, pois impactam significativamente a sua morbimortalidade e qualidade de vida.

Além disso, o tratamento dessas feridas é, muitas vezes, prolongado e de alto custo e a sua ocorrência é um importante indicador de qualidade assistencial. A maioria dos pacientes que desenvolvem lesões por pressão tem condições precárias de saúde física ou mental ou outros agravos, tornando essas lesões de etiologia multifatorial.

Definição

Lesões por pressão são de áreas de destruição tecidual produzidas pela compressão da pele contra as proeminências ósseas, principalmente os ossos do sacro, do trocânter e do ísquio, por conta que a superfície de contato tem duração por um tempo prolongado. Devido a isso, prejudica o fornecimento de sangue ao tecido e de nutrientes, levando à insuficiência vascular, anoxia tecidual e morte das células.

Podem ter causas diretas, como a pressão e a fricção nos tecidos; perda de sensibilidade ou imobilidade, e causas indiretas, como a longa permanência em setores de internação; a idade avançada; a presença de distúrbios neurológicos, câncer e outras comorbidades; o uso de drogas vasoativas, além da desnutrição.

As LPP se desenvolvem em até em 24 horas ou podem levar até cinco dias para ocorrer. Diante disso, a equipe multidisciplinar de saúde deve ser responsáveis pela prevenção da lesão, conhecer os fatores de risco para formação dela, que são: perfusão tecidual, idade, imobilidade, atividade, nível de consciência, alguns medicamentos, umidade excessiva, nutrição, hidratação e algumas doenças crônicas como diabetes e cardiovasculares para que haja a redução da incidência das LPP.

A pressão mantida por um período de duas horas pode propiciar uma lesão isquêmica. Além disso, os pacientes com grave comprometimento do estado geral podem desenvolver lesões em tempo inferior a duas horas. Quando a pressão cutânea é superior à pressão capilar média (32mmHg) em indivíduos sadios, ocorre isquemia local, provocando edema, eritema, erosão e úlceras.

A LPP se tornou um problema hospitalar que é bastante comum, isso ocorre principalmente quando idosos ficam por muito tempo hospitalizados e não possuem uma assistência adequada, ou seja, ficando expostos a complicações.

Estudo multicêntrico conduzido em unidades de internação no Brasil demonstrou frequência de 17% de pacientes com LPP, sendo a maioria portadora de mais de uma lesão, principalmente nas regiões sacral, trocantérica, do calcâneo, costas e cotovelo.

Em unidades de terapia intensiva, essa proporção pode variar de 29 a 53%. Nesse contexto, as altas frequências de LPP demandam a identificação precoce dos pacientes com elevada probabilidade de desenvolver tais lesões. Uma maneira de mensurar esse risco é a utilização da Escala de Braden, que aborda fatores intrínsecos e extrínsecos, tais como a percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição, fricção e cisalhamento. Essa avaliação tem se mostrado válida na predição de feridas, possibilitando a implementação de medidas preventivas pela equipe multidisciplinar.

Existem diversos fatores que dificultam a cicatrização das lesões tais como: o tempo de evolução da ferida, sua extensão, profundidade, pressão contínua sobre a área lesada, infecção, edema, tabagismo, alcoolismo, idade, aporte nutricional inadequado, obesidade, anemia, uso de medicamentos sistêmicos, (anti-inflamatórios, imunossupressores, quimioterápicos, radioterapia), estresse, ansiedade e depressão. Dentre as patologias que interferem no processo de cicatrização destacam-se a hanseníase, diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica.

Os efeitos regenerativos da Oxigenoterapia Hiperbárica

A Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) consiste na inalação de 100% de oxigênio em uma pressão superior ao valor da pressão atmosférica ao nível do mar. Para que isso ocorra, é necessário que o paciente fique dentro de uma câmera com uma alta concentração de oxigênio que propicia a saturação máxima da hemoglobina, aumento significativo de oxigênio livre, não ligado à hemoglobina que, dissolvido no plasma (até 2.000 mmHg), alcança os diversos tecidos do organismo. Nessas condições, observa-se uma rápida normalização dos processos de cicatrização das feridas e um combate efetivo a várias infecções.

A maioria das aplicações de condições hiperbáricas e terapia OHB são derivadas diretamente de princípios e leis da física desenvolvidos ao longo de séculos. Lei de Boyle, a teoria de estado de compressibilidade que em uma constante temperatura, a volume do gás é inversamente proporcional à pressão. A lei de Dalton, afirma que pressão de uma mistura gasosa pode ser considerada como a soma de parcial pressões dos seus gases constituintes. Lei de Henry explica a patogênese da doença descompressiva e papel do oxigênio hiperbárico em seu tratamento.

Mecanismos de ação da OHB

Efeito da pressão: reduz o volume de bolhas de gás que move-se através de pequenos vasos sanguíneos, diminuindo chances de enfarte. Esse efeito ajuda em embolia gasosa e descompressão da doença.

Efeito de eliminação: a administração de oxigênio alto ajuda na rápida eliminação de gases tóxicos e é usado no tratamento de envenenamento por monóxido de carbono.

Efeito reativo de vasoconstrição: Como agente alfa-adrenérgico causa vasoconstrição reativa reduzindo edema vascular sem alterar a oxigenação tecidual normal. Esta propriedade colabora em caso de graves lesões por esmagamento e queimaduras térmicas.

Efeito antibacteriano: A OHB otimiza as propriedades anti-infecciosas através de confirmação de enzimas e íons superóxido.

Efeito anti-isquêmico: A OHB resulta em excesso dissolvido de oxigênio em sangue e também aumenta a deformabilidade dos glóbulos vermelhos que permite alcançar tecidos isquêmicos.

Efeito curativo: a OHB promove osteoclastos e crescimento de osteoblastos, facilita síntese de colágeno estimula a angiogênese consequentemente usado em gestão de lesões refratárias, osteorradionecrose, queimaduras extensas e enxertos comprometidos.

OHB em tratamento de feriadas e lesões

Em situações nas quais há aparecimento de feridas e lesões, o processo de cicatrização pode ser comprometido e qualquer ruptura na pele pode levar a um grau infeccioso e a mais complicações, como um choque séptico (leia artigo sobre sepse aqui).

Assim, serão necessárias medidas que estimulem a recuperação do tecido, exigindo maior nível de oxigênio nas células. Com a medicina hiperbárica há um aumento no nível de concentração de oxigênio no plasma e, por consequência, há a sintetização mais rápida de substâncias que aceleram a cura e a cicatrização de feridas e lesões

Para saber mais sobre a OHB no tratamento de LPP em pacientes internados com COVID-19 acesse o site do IBEPMH clicando aqui .

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