Uma ferida que não fecha, mesmo com curativos adequados, antibióticos e semanas de cuidado, é mais do que uma complicação clínica, é o chamado Ciclo da Ferida Crônica. É um sinal de que algo no microambiente tecidual saiu do trilho. Para médicos e gestores de saúde que tratam essas lesões, entender por que isso acontece é o primeiro passo para mudar o desfecho.
Neste artigo, exploramos a fisiopatologia das feridas crônicas, os mecanismos que bloqueiam a cicatrização e por que a oxigenação tecidual é central para quebrar esse ciclo.
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O Que Define o Ciclo de Ferida Crônica?
Clinicamente, qualquer ferida que não cicatrize em seis semanas com terapêutica corretamente orientada é classificada como crônica. Úlceras venosas, diabéticas, por pressão e lesões pós-radioterapia são as mais prevalentes, e também as mais desafiadoras de manejar com abordagens convencionais.
O que essas feridas têm em comum? Segundo revisão publicada pelo Grupo Fleury (2025), todas compartilham um microambiente desfavorável à regeneração tecidual, caracterizado por inflamação crônica, biofilme bacteriano, hipóxia local e desequilíbrio entre metaloproteinases da matriz e seus inibidores.
Esse conjunto de fatores cria o que a literatura denomina “ciclo vicioso da hipóxia”: quanto mais hipóxico o leito da ferida, mais difícil a cicatrização; quanto mais prolongada a cicatrização, mais o tecido perde oxigênio.
O Papel Central da Hipóxia Tecidual
O oxigênio não é apenas um gás respiratório, é um cofator bioquímico essencial para a cicatrização. Cada etapa do processo de reparo tecidual depende diretamente da sua disponibilidade:
- Fase inflamatória: neutrófilos e macrófagos precisam de oxigênio para fagocitar bactérias e debris celulares.
- Fase proliferativa: fibroblastos dependem de O₂ para sintetizar colágeno; células endoteliais o utilizam para formar novos vasos (angiogênese).
- Fase de remodelamento: a maturação do colágeno e a reorganização da matriz extracelular são processos aeróbicos.
Quando o suprimento de oxigênio é insuficiente, seja por comprometimento vascular, diabetes, pressão crônica sobre o tecido ou inflamação persistente, todas essas fases são comprometidas simultaneamente. O resultado é uma ferida que não avança, ou que regride assim que melhora levemente.
A revisão publicada no periódico científico Oxygen-releasing biomaterials for chronic wounds (NCBI, PMC10276161) descreve esse fenômeno com precisão: o ciclo hipóxico não se rompe espontaneamente uma vez instalado, prendendo a ferida na fase inflamatória sem progressão.
Inflamação Crônica: Quando o Remédio Vira Veneno
A resposta inflamatória aguda é necessária para a cicatrização, ela limpa o tecido lesado e ativa os mecanismos de reparo. O problema ocorre quando essa resposta persiste além do necessário.
Em feridas crônicas, a inflamação persistente leva à produção contínua de citocinas pró-inflamatórias e espécies reativas de oxigênio, que degradam excessivamente a matriz extracelular, induzem apoptose celular e comprometem a função dos fibroblastos, as mesmas células responsáveis por construir o novo tecido. Em vez de reparar, o tecido se degrada.
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Biofilme Bacteriano: O Inimigo Silencioso
Outro fator que mantém feridas abertas é o biofilme bacteriano, uma comunidade organizada de bactérias protegidas por uma matriz polissacarídica que as torna até 1.000 vezes mais resistentes a antibióticos do que em forma planctônica.
A hipóxia tecidual agrava diretamente esse cenário: em ambientes com baixo oxigênio, os leucócitos perdem até 50% da sua capacidade de matar bactérias por fagocitose, segundo dados reportados no TJDFT em revisão sobre infecções de feridas crônicas e osteomielite (2023). Isso cria um ambiente favorável à proliferação bacteriana e à cronificação da infecção.
Fatores Sistêmicos que Amplificam o Problema
Além dos mecanismos locais, condições sistêmicas comprometem ainda mais a cicatrização:
- Diabetes mellitus: hiperglicemia crônica compromete neutrófilos, macrófagos e angiogênese, além de favorecer a inflamação persistente.
- Doença vascular periférica: reduz o fluxo sanguíneo e, consequentemente, o oxigênio disponível no leito da ferida.
- Obesidade: associa-se à hipóxia tecidual relativa e aumento de citocinas pró-inflamatórias.
- Desnutrição: deficiência de proteínas, zinco, ferro e vitaminas A e C afeta diretamente a síntese de colágeno e a função imunológica.
Como Romper o Ciclo da Ferida Crônica: O Papel da OHB
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) age precisamente onde o problema se origina: na hipóxia tecidual. Ao elevar em até 20 vezes a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma, a OHB fornece O₂ diretamente aos tecidos mal vascularizados, reativando os mecanismos fisiológicos que estavam bloqueados:
- Restaura a capacidade bactericida dos leucócitos, combatendo biofilme de forma complementar aos antibióticos.
- Estimula a angiogênese via ativação de HIF-1α e VEGF, formando novos vasos que sustentam a oxigenação crônica do tecido.
- Reativa fibroblastos para síntese organizada de colágeno.
- Reduz a inflamação persistente ao diminuir mediadores inflamatórios como a ciclooxigenase-2 (COX-2).
A OHB não substitui o desbridamento cirúrgico, a antibioticoterapia ou os curativos especializados, ela os potencializa, criando as condições fisiológicas para que funcionem plenamente.
Conclusão
Feridas que não cicatrizam não são uma fatalidade clínica. Elas são o resultado de mecanismos fisiopatológicos conhecidos, hipóxia, inflamação crônica, biofilme, que podem ser abordados com estratégias específicas. A oxigenoterapia hiperbárica representa um dos recursos mais bem fundamentados para quebrar esse ciclo, oferecendo às instituições que a utilizam uma ferramenta terapêutica com impacto clínico mensurável.
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Referências Científicas
• Grupo Fleury. Feridas crônicas: um desafio clínico persistente e seu impacto multidimensional na saúde dos pacientes. 2025.
• Zhang Y et al. Oxygen-releasing biomaterials for chronic wounds. NCBI PMC10276161, 2023.
• Nauta TD et al. Hypoxic Signaling During Tissue Repair and Regenerative Medicine. NCBI PMC4264139. IJMS, 2014.
• TJDFT. Infecção de ferida crônica e osteomielite — revisão sistemática. Nota Técnica NT871. 2023.
• Medway. Inflamação crônica e reparo tecidual: fundamentos e implicações clínicas. 2026.