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Blog · 07 de julho de 2026

Oxigenoterapia Hiperbárica e Saúde da Mulher: O Que Diz a Ciência

Equipe Oxy

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) já é conhecida pelo papel adjuvante na cicatrização de feridas e na recuperação pós-cirúrgica. Um recorte específico, porém, tem ganhado atenção nas clínicas: o uso do tratamento em fases particulares da saúde da mulher, do pós-parto à recuperação de procedimentos estéticos. Neste artigo, reunimos o que a literatura médica já observa sobre o tema e onde ainda é preciso cautela.

Mulher deitada dentro de câmara hiperbárica monoplace Oxy durante sessão de oxigenoterapia

Como a OHB Atua no Organismo

Durante a sessão, a paciente respira oxigênio a 100% dentro de uma câmara pressurizada. Esse ambiente aumenta a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma sanguíneo, levando mais oxigênio a tecidos que normalmente recebem menos irrigação.

Esse mecanismo é a base fisiológica de praticamente todos os usos médicos da OHB, inclusive os que têm relação com momentos específicos da saúde da mulher. Um estudo com feridas diabéticas crônicas observou que a terapia pode reduzir mediadores pró-inflamatórios, como o TNF-α, e estimular fatores de crescimento envolvidos na cicatrização, como PDGF e HIF-1α (Capó et al., 2023). Trata-se de um contexto específico, mas ilustra a cascata biológica que fundamenta o interesse clínico.

Recuperação Pós-Parto e Pós-Cesárea

A cesárea é uma cirurgia abdominal e, como tal, está sujeita às mesmas variáveis de qualquer procedimento cirúrgico: risco de infecção, tempo de cicatrização e formação de edema (acúmulo de líquido) na região operada.

Sob indicação médica, a OHB tem sido utilizada como recurso complementar no pós-operatório de cesarianas. A proposta é favorecer a oxigenação do tecido cicatricial e contribuir para reduzir o risco de complicações na ferida operatória. Vale registrar que essa aplicação parte dos princípios gerais de cicatrização, e a decisão pertence sempre ao médico assistente.

Cirurgia Plástica e Procedimentos Estéticos

A cirurgia plástica é uma das áreas em que a OHB mais aparece como tratamento adjuvante. Boa parte das pacientes que procuram esse recurso são mulheres em pós-operatório de procedimentos como abdominoplastia, mamoplastia e lipoaspiração.

Nesses casos, a terapia costuma ser indicada quando há sofrimento tecidual na cicatriz cirúrgica. Os benefícios estudados incluem redução de inchaço e de hematomas, estímulo à formação de novos vasos sanguíneos e de colágeno, e apoio ao processo de cicatrização. O uso também pode ser preventivo em pacientes de maior risco, como fumantes ou pessoas com diabetes.

O que dizem os estudos

Uma revisão de literatura publicada no Brazilian Journal of Health Review analisou 15 estudos e concluiu que a OHB pode auxiliar a recuperação pós-operatória em cirurgia plástica (BJHR, 2024). Por ser uma revisão narrativa, tem nível de evidência mais baixo que ensaios clínicos randomizados.

Achados pontuais ajudam a dimensionar o interesse:

  • Em um estudo caso-controle sobre lifting facial, com 20 pacientes, o grupo submetido à OHB apresentou cicatrização média de 13,3 dias, contra 36,9 dias no grupo controle (Fouda Neel et al., 2023). A amostra é pequena, o que pede prudência na leitura.

  • Em retalhos de mastectomia com preservação do mamilo sob ameaça de perda, uma série de 17 pacientes e 25 mamas registrou preservação de cerca de 88% dos retalhos, com 12% de reintervenção (Nasr et al., 2023).

Esses dados reforçam por que a OHB desperta interesse no pós-operatório, sem que representem promessa de resultado. A leitura de casos de recuperação, como o relatado em nosso conteúdo sobre atletas e cicatrização, ilustra o mesmo raciocínio de adjuvância.

Fadiga, Disposição e Flutuações Hormonais

Fora do contexto cirúrgico, a OHB também tem sido procurada por mulheres que relatam fadiga persistente e queda de energia, sintomas comuns em diferentes fases hormonais da vida.

Nesses casos, o tratamento costuma ser buscado como parte de uma estratégia mais ampla de bem-estar, sempre com avaliação médica prévia. A origem da fadiga pode ter causas variadas que precisam ser investigadas antes de qualquer indicação terapêutica.

O Que Ainda Está em Estudo

Nem todo uso da OHB relacionado à saúde da mulher tem o mesmo nível de evidência científica. Aplicações voltadas à recuperação pós-parto e pós-cirúrgica encontram respaldo mais consistente na literatura, enquanto usos ligados a sintomas de menopausa ou fertilidade ainda são objeto de pesquisa e não devem ser tratados como benefício comprovado.

Cabe uma nota metodológica: parte das evidências vem de estudos in vitro. Uma pesquisa laboratorial avaliou o condicionamento de células-tronco derivadas de tecido adiposo sob OHB, sem medir sobrevivência de enxerto em pacientes (Yoshinoya et al., 2020). Achados assim indicam caminhos de investigação, não resultados clínicos definitivos.

Um Tratamento Sempre Sob Indicação Médica

A OHB é um procedimento médico. Cada protocolo, incluindo número de sessões, pressão e frequência, deve ser definido por profissional habilitado, considerando o histórico de saúde da paciente. Clínicas que oferecem o tratamento precisam contar com equipamento certificado e equipe capacitada para conduzir cada sessão com segurança.

No Brasil, a OHB é reconhecida pela Resolução CFM nº 1.457/1995 como adjuvante para lesões de difícil cicatrização, e a Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica orienta os critérios clínicos. Para entender o papel dessa modalidade dentro do cuidado, vale a leitura da entrevista com um médico infectologista sobre a OHB como adjuvante.

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Conclusão

A oxigenoterapia hiperbárica tem espaço consolidado como recurso adjuvante em fases específicas da saúde da mulher, sobretudo no pós-parto e na recuperação de cirurgias plásticas. A evidência varia conforme a aplicação: robusta em cicatrização, ainda incipiente em temas como menopausa e fertilidade. A decisão de indicar o tratamento pertence ao médico, que avalia cada caso individualmente e define o protocolo mais adequado.

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Referências Científicas

• Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.457, de 15/09/1995. CFM, 1995.

• Brazilian Journal of Health Review. Benefícios da oxigenoterapia hiperbárica no pós-cirúrgico em cirurgia plástica: uma revisão de literatura. BJHR, 2024.

• Fouda Neel O, Mousa AH, Al-Terkawi RA, Bakr MM, Mortada H. Assessing the Efficacy of Hyperbaric Oxygen Therapy on Facelift Outcomes: A Case-Control Study. Aesthet Surg J Open Forum. 2023. PMID 37529413. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37529413/

• Nasr HY, Rifkin WJ, Muller JN, Chiu ES. Hyperbaric Oxygen Therapy for Threatened Nipple-Sparing Mastectomy Flaps: An Adjunct for Flap Salvage. Ann Plast Surg. 2023. PMID 36913565. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36913565/

• Capó X, Monserrat-Mesquida M, Quetglas-Llabrés M, et al. Hyperbaric Oxygen Therapy Reduces Oxidative Stress and Inflammation, and Increases Growth Factors Favouring the Healing Process of Diabetic Wounds. Int J Mol Sci. 2023;24(8):7040. PMID 37108205. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37108205/

• Yoshinoya Y, Böcker AH, Ruhl T, et al. The Effect of Hyperbaric Oxygen Therapy on Human Adipose-Derived Stem Cells. Plast Reconstr Surg. 2020. PMID 32740581. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32740581/

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.

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