Poucas funções do corpo são tão automáticas e tão negligenciadas quanto a respiração. Só percebemos sua importância quando algo a ameaça. Todo dia 1º de agosto é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão, uma data com peso estatístico enorme: segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o câncer de pulmão é o tipo de câncer que mais mata no mundo, com cerca de 1,8 milhão de mortes por ano. É um bom momento para falar de prevenção, de diagnóstico precoce e do valor de manter a saúde respiratória sob cuidado.

O panorama brasileiro em números
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 30 mil novos casos de câncer de pulmão por ano. A doença ocupa a primeira posição em incidência entre os tipos de câncer nos homens e a terceira posição entre as mulheres. Esse contraste reflete, em parte, a mudança histórica nos padrões de tabagismo entre diferentes gerações e entre homens e mulheres, tema retomado pelo material de conscientização divulgado pelo Portal Segs.
O principal fator de risco e os que também merecem atenção
O tabagismo segue sendo, com ampla vantagem, o principal fator de risco associado ao câncer de pulmão, respondendo por uma proporção muito significativa dos diagnósticos. Outros fatores, porém, compõem a equação de risco:
-
exposição prolongada à poluição do ar, especialmente em grandes centros urbanos;
-
contato com substâncias químicas tóxicas no ambiente de trabalho;
-
histórico familiar da doença.
Um ponto de atenção crescente entre profissionais de saúde é o uso de cigarros eletrônicos, os chamados vapes. Muitas vezes percebidos como alternativa “mais segura”, eles também representam risco real à saúde pulmonar, inclusive entre jovens e entre pessoas que nunca fumaram cigarros convencionais.
O maior desafio: o diagnóstico tardio
O câncer de pulmão tem uma característica que o torna especialmente difícil de enfrentar. Ele evolui silenciosamente. Estima-se que a grande maioria dos casos só seja identificada em estágios avançados, quando as opções terapêuticas se tornam mais limitadas.
Nos estágios iniciais, a doença frequentemente não apresenta sintomas claros. Quando os sinais aparecem, como tosse persistente, falta de ar, dor no peito e perda de peso sem explicação, o quadro muitas vezes já avançou. É por isso que a atenção a mudanças respiratórias duradouras deve levar à consulta médica, e não à espera.
Prevenção e diagnóstico precoce fazem diferença real
Campanhas como o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão trazem para a conversa pública hábitos simples de prevenção:
-
não fumar, ou buscar apoio para parar de fumar, algo oferecido pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde;
-
reduzir, quando possível, a exposição prolongada à poluição do ar e a agentes químicos ocupacionais;
-
manter exames de rotina em dia, sobretudo quem tem fatores de risco conhecidos.
Quando identificado precocemente, o câncer de pulmão apresenta possibilidades de tratamento significativamente melhores. Essa é a mensagem central que as campanhas de conscientização repetem ano após ano, e ela continua sendo a informação mais útil que uma data como esta pode oferecer.
Onde a oxigenoterapia hiperbárica entra nessa conversa
Vale um esclarecimento importante e direto: a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) não é tratamento para o câncer de pulmão. Ela é sempre uma terapia adjuvante, ou seja, complementar a outros tratamentos, e sua indicação é ato médico, restrito às condições clínicas reconhecidas. Na OHB, o paciente respira oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, conforme o protocolo definido pelo médico.
Dito isso, a pesquisa sobre oxigenação tecidual avança em frentes interessantes. Em modelos experimentais de glioblastoma, o tumor cerebral mais agressivo, um estudo publicado no Cancer Cell International em 2025 observou que o oxigênio hiperbárico reduziu a expressão dos fatores induzidos por hipóxia HIF-1α e HIF-2α, aumentando a apoptose (morte celular programada) e sensibilizando as células tumorais à quimioterapia. São achados pré-clínicos, obtidos em outro tipo de tumor, e não configuram indicação clínica. Ainda assim, indicam um caminho promissor de investigação sobre o papel do oxigênio no microambiente tumoral.
Na esfera respiratória e cardiopulmonar, um estudo publicado na PLoS One em 2025 avaliou 19 homens saudáveis em testes progressivos de cicloergômetro sob diferentes condições de oxigênio. A hiperóxia hiperbárica leve melhorou a capacidade aeróbica e reduziu o estresse cardiopulmonar no limiar ventilatório, com menores valores de pressão sistólica e de duplo produto. Os próprios autores ressaltam que mais pesquisas clínicas são necessárias antes da aplicação em populações com disfunção cardiopulmonar. Trata-se, além disso, de condição de pressão leve, diferente dos protocolos clínicos habituais de OHB.
Em pacientes com síndrome pós-COVID, uma revisão crítica publicada em 2024 no European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience aponta a OHB como terapia com eficácia demonstrada em estudo prospectivo randomizado para melhora cognitiva, regeneração de redes cerebrais e função cardíaca, e defende novos estudos sobre o tema. O interesse pela oxigenoterapia em quadros neurológicos e de recuperação também aparece em outros contextos, como discutimos ao tratar da doença de Parkinson e o papel da oxigenoterapia hiperbárica e do caso de Jeremy Renner após acidente grave.
Conclusão
O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão é, antes de tudo, um convite à ação simples: parar de fumar, reduzir exposições evitáveis e procurar avaliação médica diante de sintomas respiratórios persistentes. Respirar livre de fumaça e de poluição é uma das formas mais básicas e mais decisivas de cuidar da saúde a longo prazo. Em paralelo, a medicina hiperbárica segue ampliando o conhecimento sobre o papel do oxigênio na recuperação de tecidos, sempre dentro das indicações definidas por médico. A Oxy, fabricante brasileira de câmaras hiperbáricas monoplace, acompanha essa evolução científica e apoia instituições de saúde que estruturam serviços de OHB com critério técnico.
Quer conversar com a equipe Oxy sobre medicina hiperbárica e sobre os modelos de câmaras monoplace? Fale com a gente: clique aqui.
Referências Científicas
• Instituto Nacional de Câncer (INCA), com dados da Organização Mundial da Saúde, via Portal Segs. Material sobre o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão: prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. https://cmalphaview.com.br/noticias/portal-segs-1-de-agosto-dia-mundial-de-combate-ao-cncer-de-pulmo-alerta-para-preveno-diagnstico-precoce-e-tratamento
• HIF-1α and HIF-2α: synergistic regulation of glioblastoma malignant progression during hypoxia and apparent chemosensitization in response to hyperbaric oxygen. Cancer Cell International, 2025.
• Hiperóxia hiperbárica leve melhora a capacidade aeróbica e reduz o estresse cardiopulmonar durante o teste máximo em cicloergômetro. PLoS One, 2025.
• Is there a rationale for hyperbaric oxygen therapy in the patients with Post COVID syndrome? A critical review. European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience, 2024.
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.