Oxigenoterapia hiperbárica e canetas emagrecedoras: o avanço dos medicamentos injetáveis para emagrecimento, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, representou uma mudança significativa no tratamento da obesidade e das doenças cardiometabólicas. Fármacos como agonistas do receptor de GLP-1 e agonistas duais GIP/GLP-1 demonstraram resultados expressivos na redução do peso corporal, no controle glicêmico e na diminuição do risco cardiovascular em pacientes com sobrepeso e obesidade.
Com a ampliação do uso dessas terapias, surge também a necessidade de estratégias complementares que auxiliem na adaptação fisiológica do organismo, no manejo de efeitos adversos e na preservação da funcionalidade dos tecidos, especialmente em pacientes com comorbidades associadas. Nesse contexto, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) passa a ser discutida como uma possível terapia adjuvante em cenários clínicos específicos.

Canetas emagrecedoras e os desafios clínicos associados
Os medicamentos injetáveis para perda de peso atuam principalmente na modulação do apetite, do esvaziamento gástrico e do metabolismo glicêmico. Apesar de sua eficácia, parte dos pacientes pode apresentar efeitos adversos como náuseas, vômitos, constipação, redução da ingestão alimentar, desidratação e queda de performance física.
Além disso, muitos dos pacientes elegíveis ao uso dessas terapias apresentam histórico de diabetes tipo 2, doença vascular periférica, neuropatia e alterações na cicatrização, o que exige atenção especial durante o processo de emagrecimento acelerado. A perda ponderal rápida pode impactar reservas nutricionais, resposta inflamatória e capacidade de regeneração tecidual, especialmente em indivíduos com circulação comprometida.
O papel fisiológico da Oxigenoterapia Hiperbárica
A oxigenoterapia hiperbárica consiste na administração de oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, geralmente em câmaras hiperbáricas monoplace. Esse processo aumenta significativamente a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma, permitindo maior difusão tecidual, inclusive em áreas com perfusão reduzida.
Do ponto de vista fisiológico, a OHB está associada a mecanismos como:
- aumento da oxigenação tecidual
- estímulo à angiogênese
- modulação da resposta inflamatória
- melhora da função mitocondrial
- suporte aos processos de cicatrização e regeneração celular
Esses efeitos são amplamente descritos na literatura científica e sustentam o uso consolidado da OHB em feridas crônicas, lesões por radiação, infecções anaeróbias e complicações vasculares associadas ao diabetes.
Oxigenoterapia hiperbárica e canetas emagrecedoras: onde a OHB pode atuar como adjuvante
É fundamental destacar que a oxigenoterapia hiperbárica não é um tratamento para emagrecimento e não substitui nem potencializa diretamente o efeito farmacológico das canetas. Seu papel, quando indicado, é adjuvante e clínico.
Alguns cenários nos quais a OHB pode ser considerada incluem:
Suporte à cicatrização em pacientes diabéticos
Pacientes em uso de canetas emagrecedoras frequentemente apresentam diabetes tipo 2 associado. Em casos de úlceras crônicas, feridas de difícil cicatrização ou risco de pé diabético, a OHB pode ser integrada ao plano terapêutico com foco em preservação tecidual e redução de complicações.
Redução de inflamação e melhora da perfusão tecidual
Durante o processo de perda de peso, especialmente em indivíduos com histórico vascular, a melhora da oxigenação pode contribuir para um ambiente biológico mais favorável à recuperação de tecidos e à manutenção da integridade cutânea.
Apoio à recuperação funcional
Em pacientes que mantêm atividade física durante o emagrecimento, a OHB pode auxiliar na recuperação muscular e na redução de inflamação sistêmica, desde que exista indicação clínica clara e acompanhamento multiprofissional.
O que a ciência ainda não comprova
Até o momento, não existem estudos clínicos robustos que comprovem que a oxigenoterapia hiperbárica:
- acelera a perda de peso induzida por canetas emagrecedoras
- reduz diretamente efeitos gastrointestinais dos medicamentos
- impede a perda de massa magra associada ao emagrecimento
Por isso, a comunicação ética e baseada em evidência é essencial. A OHB deve ser posicionada como terapia adjuvante para condições específicas, e não como estratégia estética ou metabólica isolada.
Integração clínica segura e baseada em evidência
A utilização da oxigenoterapia hiperbárica nesse contexto deve sempre envolver:
- avaliação médica criteriosa
- definição clara de objetivos terapêuticos
- integração com endocrinologia, nutrição e outras especialidades
- monitoramento clínico contínuo
Quando bem indicada, a OHB pode agregar valor ao cuidado global do paciente, especialmente em populações com maior risco de complicações.
Conclusão
O uso de canetas emagrecedoras representa um avanço importante no tratamento da obesidade, mas exige uma visão ampliada do cuidado com o paciente. A oxigenoterapia hiperbárica surge como uma ferramenta complementar relevante em situações clínicas específicas, sobretudo relacionadas à cicatrização, inflamação e saúde vascular.
A adoção responsável dessa terapia, com base científica e indicação adequada, fortalece a abordagem multidisciplinar e contribui para melhores desfechos clínicos, sem promessas irreais ou desvios do propósito terapêutico.
Fontes: Guidelines on interventions to enhance healing of foot ulcers in people with diabetes / WEGOVY SUMMARY OF PRODUCT CHARACTERISTICS / Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity