A Oxigenoterapia Hiperbárica vem ganhando cada vez mais destaque como terapia adjuvante na recuperação de lesões musculoesqueléticas, especialmente nas lesões de joelho, que estão entre as principais causas de dor e afastamento esportivo no Brasil. Segundo estudo conduzido pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a oxigenação hiperbárica demonstrou resultados relevantes na aceleração da cicatrização e na recuperação pós-cirúrgica do ligamento cruzado anterior (LCA).
A relevância do tema é evidente. Estimativas indicam que cerca de 69% dos brasileiros adultos relatam dores no joelho, causadas por condições como tendinites, artrite, rupturas ligamentares e lesões traumáticas. Além disso, aproximadamente 55% das lesões esportivas estão relacionadas ao joelho, o que reforça a necessidade de estratégias terapêuticas que acelerem a recuperação funcional e reduzam o tempo de afastamento.
Estudo da USP reforça o papel da Oxigenoterapia Hiperbárica
O estudo, publicado no Journal of Orthopaedic Research, revista oficial da Orthopaedic Research Society (ORS), avaliou os efeitos da Oxigenoterapia Hiperbárica na recuperação de lesões ligamentares. De acordo com os pesquisadores, a terapia mostrou-se eficaz como tratamento complementar na recuperação pós-operatória e na reconstrução do ligamento cruzado anterior.
Segundo o professor Marcos Demange, líder do estudo e docente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, a Medicina Hiperbárica representa uma nova vertente dentro da ortopedia esportiva. Para ele, há um grande potencial de crescimento científico e clínico nessa área, especialmente no cuidado de atletas e pacientes com lesões de difícil cicatrização.
Esse cenário explica o aumento do interesse pela terapia no meio esportivo. Clubes de futebol como Palmeiras, Flamengo, Corinthians e Atlético Mineiro já utilizam a Oxigenoterapia Hiperbárica como parte de seus protocolos de recuperação, buscando reduzir o tempo de retorno dos atletas às atividades.
Como funciona a Oxigenoterapia Hiperbárica
A Oxigenoterapia Hiperbárica consiste na administração de oxigênio a 100% em uma câmara hiperbárica, na qual o paciente é submetido a uma pressão superior à atmosférica. Para efeito de comparação, enquanto o ar ambiente contém cerca de 21% de oxigênio, durante a sessão hiperbárica o organismo recebe oxigênio puro, sob pressão equivalente a um mergulho de aproximadamente 20 metros de profundidade.
Esse ambiente pressurizado permite que o oxigênio seja transportado não apenas pela hemoglobina, mas também dissolvido diretamente no plasma sanguíneo. Isso aumenta significativamente a disponibilidade de oxigênio nos tecidos, inclusive naqueles com menor vascularização, como ligamentos e estruturas reconstruídas cirurgicamente no joelho.
De forma didática, o professor Marcos Demange explica que, além dos “barcos” representados pelas hemoglobinas, o oxigênio passa a circular também pelo “rio”, o plasma, elevando em até seis ou sete vezes a concentração de oxigênio nos tecidos lesionados. Esse mecanismo estimula a atividade celular, favorece a regeneração tecidual e acelera a cicatrização.
Benefícios da Oxigenoterapia Hiperbárica para lesões no joelho
Os resultados observados no estudo apontam benefícios importantes da Oxigenoterapia Hiperbárica no tratamento de lesões no joelho, entre eles:
Melhora da oxigenação em tecidos pouco vascularizados
Estímulo à regeneração celular e angiogênese
Aceleração da cicatrização ligamentar
Redução do processo inflamatório local
Apoio à recuperação pós-cirúrgica
Do ponto de vista prático, a terapia também se mostra vantajosa em termos de tempo. Segundo os pesquisadores, protocolos com cinco a seis sessões de aproximadamente uma hora podem gerar benefícios relevantes, muitas vezes em um intervalo menor quando comparado a abordagens convencionais isoladas, como a fisioterapia tradicional.
Terapia complementar, não substitutiva
É importante destacar que a Oxigenoterapia Hiperbárica não substitui cirurgias, fisioterapia ou tratamentos medicamentosos. Seu papel é atuar como um tratamento adjuvante, potencializando a recuperação e otimizando o processo de cicatrização.
Os especialistas reforçam que a indicação da terapia deve ser criteriosa e realizada por profissionais capacitados, respeitando as condições clínicas de cada paciente. Entre as principais contraindicações estão pacientes com glaucoma não controlado, epilepsia e claustrofobia severa.
Resultados promissores e próximos passos
Nos testes experimentais realizados em modelos animais, os resultados foram expressivos. Os coelhos submetidos à Oxigenoterapia Hiperbárica apresentaram cicatrização significativamente mais rápida do ligamento, alcançando recuperação total da resistência ligamentar no mesmo período em que os animais não tratados apresentavam apenas cerca de um terço da recuperação.
Diante desses achados, os pesquisadores planejam avançar para estudos clínicos em humanos, avaliando não apenas lesões ligamentares do joelho, mas também menisco, cartilagem, tendões do ombro e outras estruturas com histórico de cicatrização mais lenta.
Conclusão
O estudo da USP reforça que a Oxigenoterapia Hiperbárica é uma aliada promissora na recuperação de lesões no joelho, especialmente no contexto pós-cirúrgico e esportivo. Ao melhorar a oxigenação tecidual e estimular mecanismos naturais de regeneração, a terapia contribui para uma recuperação mais rápida, segura e eficiente.
Com o avanço das pesquisas e a ampliação das evidências científicas, a Medicina Hiperbárica tende a ocupar um espaço cada vez mais relevante na ortopedia, beneficiando atletas, pacientes cirúrgicos e instituições de saúde que buscam excelência assistencial.