Oxigenoterapia hiperbárica na mastectomia poupadora de mamilo

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A oxigenoterapia hiperbárica na recuperação de retalhos comprometidos em mastectomias poupadoras de mamilo tem se destacado como uma estratégia terapêutica adjuvante relevante no manejo de complicações pós-operatórias dessa técnica cirúrgica. A mastectomia poupadora de mamilo (MPM) consolidou-se como uma abordagem segura do ponto de vista oncológico e altamente valorizada pelos resultados estéticos, especialmente por preservar o complexo mamilo-aréola e contribuir para a reconstrução mamária mais natural.

Apesar dos avanços técnicos, a MPM ainda apresenta desafios clínicos importantes. Entre eles, destacam-se a isquemia e a necrose parcial ou total dos retalhos cutâneos e do complexo mamilo-aréola, complicações que podem comprometer o resultado cirúrgico, prolongar o tempo de recuperação e, em casos mais graves, exigir novas intervenções cirúrgicas.

Nesse contexto, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) surge como uma alternativa eficaz para o salvamento de retalhos ameaçados, respaldada por evidências científicas recentes e pela compreensão de seus mecanismos fisiológicos.

A importância de intervenções eficazes na mastectomia poupadora de mamilo

A preservação do complexo mamilo-aréola é um dos principais diferenciais da MPM, pois impacta diretamente a autoestima e a percepção corporal da paciente após o tratamento do câncer de mama. No entanto, a vascularização desse complexo pode ser comprometida durante a cirurgia, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo, radioterapia prévia, diabetes ou grandes volumes de ressecção.

A isquemia tecidual resulta em redução do suprimento de oxigênio e nutrientes, levando à necrose se não for revertida de forma precoce e eficaz. Tradicionalmente, o manejo dessas complicações envolve medidas clínicas conservadoras e, em casos mais graves, revisões cirúrgicas, o que aumenta a morbidade, os custos e o impacto emocional para a paciente.

Como funciona a oxigenoterapia hiperbárica nesses casos

A oxigenoterapia hiperbárica consiste na inalação de oxigênio a 100% em um ambiente pressurizado, como a Câmara Hiperbárica Monoplace, onde a pressão atmosférica é superior à do nível do mar. Esse aumento de pressão permite que grandes quantidades de oxigênio sejam dissolvidas diretamente no plasma sanguíneo, independentemente da hemoglobina.

Esse mecanismo promove uma série de efeitos fisiológicos relevantes para a recuperação de retalhos comprometidos, como:

  • Aumento da oxigenação dos tecidos isquêmicos

  • Estímulo à angiogênese e neovascularização

  • Redução do edema e da inflamação

  • Melhora da resposta imunológica local

  • Aceleração da cicatrização e regeneração tecidual

No contexto da MPM, esses efeitos favorecem a recuperação da viabilidade do retalho cutâneo e do complexo mamilo-aréola, reduzindo a progressão da necrose e, em muitos casos, evitando a necessidade de reoperações.

Evidências clínicas e resultados do estudo científico

O artigo científico analisado avaliou o uso da oxigenoterapia hiperbárica em pacientes que apresentaram sinais de isquemia ou necrose após mastectomia poupadora de mamilo. No total, 17 pacientes, envolvendo 25 mamas, foram submetidas à OHB como terapia adjuvante para salvamento do retalho.

Os resultados demonstraram que aproximadamente 88% dos retalhos ameaçados foram preservados com sucesso, sem a necessidade de revisões cirúrgicas adicionais. Apenas 12% dos casos evoluíram para reintervenção, um percentual considerado baixo diante da gravidade das complicações iniciais.

Esses achados reforçam o papel da oxigenoterapia hiperbárica como uma ferramenta eficaz no manejo de complicações pós-MPM, contribuindo tanto para a preservação estética quanto para a segurança clínica das pacientes.

Oxigenoterapia hiperbárica como aliada da cirurgia plástica oncológica

A aplicação da OHB no salvamento de retalhos em mastectomias poupadoras de mamilo exemplifica a importância da integração entre tecnologia, ciência e prática clínica. Para cirurgiões plásticos e equipes multidisciplinares envolvidas no tratamento do câncer de mama, a oxigenoterapia hiperbárica representa uma alternativa terapêutica que pode ser incorporada aos protocolos de cuidado de forma segura e baseada em evidências.

É fundamental ressaltar que a OHB não substitui o tratamento cirúrgico nem as condutas oncológicas estabelecidas, mas atua como terapia complementar, potencializando os resultados e reduzindo complicações.

Considerações finais

A oxigenoterapia hiperbárica na recuperação de retalhos comprometidos em mastectomias poupadoras de mamilo demonstra um impacto clínico relevante na redução de necrose, no salvamento de tecidos ameaçados e na diminuição da necessidade de cirurgias adicionais. Os dados científicos disponíveis reforçam seu papel como ferramenta adjuvante valiosa na cirurgia plástica oncológica.

Com a evolução contínua das técnicas cirúrgicas e das terapias complementares, a incorporação da oxigenoterapia hiperbárica na prática clínica pode representar um avanço significativo na segurança, nos resultados estéticos e na qualidade de vida das pacientes submetidas ao tratamento do câncer de mama.

Estudo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36913565/