A Oxigenoterapia Hiperbárica na reconstrução mamária tem se consolidado como uma importante terapia adjuvante no cuidado de mulheres que enfrentaram o câncer de mama. Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização, prevenção e apoio às pacientes, é fundamental destacar abordagens terapêuticas que vão além do tratamento oncológico, contribuindo para uma recuperação mais segura, funcional e emocional.

A reconstrução mamária representa uma etapa essencial no processo de reabilitação após o câncer de mama. No entanto, esse procedimento pode ser acompanhado de desafios importantes, especialmente em pacientes que passaram por mastectomia, radioterapia, quimioterapia ou que apresentam fatores de risco como diabetes, tabagismo e alterações vasculares. Nesse contexto, a Oxigenoterapia Hiperbárica surge como uma aliada estratégica para reduzir complicações, melhorar a cicatrização e aumentar o sucesso cirúrgico.
O que é a Oxigenoterapia Hiperbárica
A Oxigenoterapia Hiperbárica é um tratamento médico realizado em uma câmara hiperbárica pressurizada, onde a paciente respira oxigênio 100 por cento puro sob pressão superior à atmosférica. Esse ambiente permite que grandes quantidades de oxigênio sejam dissolvidas diretamente no plasma sanguíneo, alcançando tecidos com baixa perfusão ou comprometidos por inflamação, infecção ou fibrose.
Na reconstrução mamária, esse mecanismo é especialmente relevante, pois muitos tecidos passam por sofrimento vascular, seja pela cirurgia, pela radioterapia ou por processos inflamatórios prévios. A maior oferta de oxigênio cria condições ideais para a regeneração tecidual.
Combate às infecções no pós-operatório
Um dos principais benefícios da Oxigenoterapia Hiperbárica na reconstrução mamária é o controle e prevenção de infecções. O oxigênio em alta concentração exerce efeito bactericida e bacteriostático, especialmente contra microrganismos anaeróbicos, além de potencializar a ação dos antibióticos.
Em cirurgias reconstrutivas, infecções podem comprometer implantes, retalhos e enxertos, levando a reoperações e prolongamento do tratamento. A OHB contribui para a redução desse risco, promovendo um ambiente tecidual mais resistente à proliferação bacteriana.
Melhora da cicatrização e regeneração dos tecidos
A cicatrização adequada é um dos pilares para o sucesso da reconstrução mamária. A Oxigenoterapia Hiperbárica estimula a angiogênese, processo de formação de novos vasos sanguíneos, além de favorecer a produção de colágeno e a proliferação celular.
Esses efeitos aceleram a recuperação das incisões cirúrgicas, reduzem o risco de deiscências e contribuem para melhores resultados estéticos e funcionais. Em pacientes que receberam radioterapia, onde há maior risco de fibrose e necrose tecidual, a OHB se mostra ainda mais relevante.
Aumento da taxa de sucesso de enxertos e retalhos
A Oxigenoterapia Hiperbárica na reconstrução mamária também desempenha papel fundamental no aumento da taxa de sucesso de enxertos e retalhos. Tecidos transplantados dependem de rápida revascularização para sobreviver, e qualquer comprometimento vascular pode levar à perda parcial ou total do enxerto.
Ao melhorar a oxigenação local, a OHB favorece a integração dos tecidos, reduz áreas de sofrimento isquêmico e aumenta a viabilidade dos enxertos, mesmo em pacientes com fatores de risco como diabetes, tabagismo ou histórico de radioterapia.
Benefícios físicos e impacto emocional
Além dos benefícios clínicos, a reconstrução mamária tem profundo impacto emocional na vida das pacientes. Uma recuperação mais rápida, com menos complicações e melhores resultados estéticos, contribui diretamente para a restauração da autoestima, da imagem corporal e da qualidade de vida.
Nesse sentido, a Oxigenoterapia Hiperbárica se alinha perfeitamente aos objetivos do Outubro Rosa, que vão além da prevenção e do diagnóstico precoce, abrangendo também o cuidado integral da mulher após o câncer.
A importância da abordagem multidisciplinar
A indicação da Oxigenoterapia Hiperbárica deve sempre fazer parte de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo cirurgiões plásticos, mastologistas, oncologistas e equipes especializadas em medicina hiperbárica. Cada paciente deve ser avaliada individualmente, considerando seu histórico clínico, tipo de reconstrução e riscos associados.
Quando bem indicada e supervisionada, a OHB se torna uma ferramenta segura e eficaz para potencializar os resultados da reconstrução mamária.
Conclusão
A Oxigenoterapia Hiperbárica na reconstrução mamária representa um avanço importante no cuidado das mulheres que enfrentaram o câncer de mama. Seus benefícios no combate às infecções, na cicatrização, na viabilidade de enxertos e na recuperação global reforçam seu papel como terapia adjuvante de alto valor clínico.
Durante o Outubro Rosa, destacar essa abordagem é também reforçar o compromisso com a saúde integral, a dignidade e a qualidade de vida das pacientes. Explorar todas as ferramentas disponíveis é fundamental para oferecer um tratamento mais humano, seguro e eficaz às sobreviventes do câncer de mama.