A oxigenoterapia hiperbárica no lifting facial tem se consolidado como uma estratégia adjuvante relevante para otimizar a cicatrização e reduzir complicações no pós-operatório da cirurgia estética facial. Com o crescimento expressivo da demanda por procedimentos de rejuvenescimento, como o lifting facial, aumenta também a necessidade de abordagens que favoreçam uma recuperação mais previsível, segura e confortável para o paciente.
Embora o lifting facial seja um procedimento amplamente consolidado, complicações relacionadas à cicatrização, edema prolongado, hematomas e risco de infecção ainda representam desafios clínicos. Nesse contexto, a Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) surge como um recurso complementar baseado em evidências científicas para apoiar o processo de reparo tecidual.
O que é a oxigenoterapia hiperbárica
A Oxigenoterapia Hiperbárica consiste na inalação de oxigênio a 100% em uma Câmara Hiperbárica Monoplace, sob pressão superior à atmosférica. Esse ambiente hiperbárico permite que grandes quantidades de oxigênio se dissolvam diretamente no plasma sanguíneo, alcançando tecidos com perfusão comprometida.
Os principais efeitos fisiológicos da OHB incluem:
aumento da oxigenação tecidual
estímulo à angiogênese
modulação da resposta inflamatória
redução de edema
melhora da resposta imunológica
Esses mecanismos são fundamentais para a cicatrização adequada após procedimentos cirúrgicos estéticos.
Objetivo do estudo científico
O estudo intitulado “Assessing the Efficacy of Hyperbaric Oxygen Therapy on Facelift Outcomes: A Case–Control Study Comparing Outcomes in Patients With and Without Hyperbaric Oxygen Therapy” teve como objetivo avaliar o impacto da oxigenoterapia hiperbárica na cicatrização pós-operatória e nas taxas de complicações em pacientes submetidos ao lifting facial.
A proposta central foi comparar desfechos clínicos entre pacientes que realizaram OHB no pós-operatório e aqueles que seguiram apenas o tratamento convencional.
Metodologia do estudo
Trata-se de um estudo caso-controle retrospectivo, que analisou pacientes submetidos à cirurgia de lifting facial entre os anos de 2019 e 2022.
A amostra incluiu 20 pacientes do sexo feminino, divididas em dois grupos:
Grupo OHB: 9 pacientes que receberam oxigenoterapia hiperbárica no pós-operatório
Grupo controle: 11 pacientes que não realizaram OHB
Os principais desfechos avaliados foram:
tempo de cicatrização
ocorrência de complicações pós-operatórias
percepção e satisfação das pacientes
Resultados obtidos
Os resultados demonstraram diferenças clínicas relevantes entre os grupos.
No grupo submetido à oxigenoterapia hiperbárica, o tempo médio de cicatrização variou entre 7 e 30 dias, com média de 13,3 dias. Já no grupo controle, o tempo de cicatrização variou entre 6 e 90 dias, com média de 36,9 dias.
Esses dados indicam uma redução estatisticamente significativa no tempo de cicatrização nos pacientes que utilizaram a OHB como terapia adjuvante.
Além disso, as pacientes do grupo OHB relataram:
recuperação mais confortável
menor impacto funcional no pós-operatório
percepção positiva da experiência cirúrgica
Discussão dos achados
Os resultados reforçam o papel da oxigenoterapia hiperbárica no lifting facial como uma ferramenta complementar eficaz para otimizar a cicatrização e reduzir o tempo de recuperação.
A melhora observada pode ser explicada pelos mecanismos fisiológicos da OHB, especialmente:
maior aporte de oxigênio em tecidos submetidos a descolamento cirúrgico
estímulo à formação de novos vasos sanguíneos
redução da inflamação local
menor risco de hipóxia tecidual prolongada
Esses fatores são particularmente relevantes em cirurgias faciais, onde a qualidade da cicatrização impacta diretamente o resultado estético e a satisfação do paciente.
Implicações clínicas para a cirurgia plástica
A incorporação da oxigenoterapia hiperbárica como terapia adjuvante no pós-operatório do lifting facial pode ser considerada especialmente em:
pacientes com fatores de risco para cicatrização lenta
procedimentos extensos ou combinados
casos de revisão cirúrgica
pacientes tabagistas, diabéticos ou com histórico de radioterapia
A utilização de Câmaras Hiperbáricas Monoplace, como as da Oxy, permite a integração segura e controlada da OHB à rotina clínica, respeitando protocolos médicos e critérios individualizados.
Considerações finais
A oxigenoterapia hiperbárica no lifting facial demonstrou, neste estudo, potencial significativo para reduzir o tempo de cicatrização e melhorar a experiência pós-operatória das pacientes. Embora não substitua os cuidados cirúrgicos convencionais, a OHB se apresenta como uma terapia adjuvante baseada em evidências científicas, capaz de agregar valor aos protocolos pós-operatórios em cirurgia estética facial.
A continuidade de estudos clínicos com amostras maiores contribuirá para o refinamento de protocolos e para a consolidação da OHB como parte integrada da prática cirúrgica moderna.
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