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Blog · 31 de julho de 2026

Oxigenoterapia hiperbárica após reconstrução do LCA: o que um estudo experimental encontrou

Equipe Oxy

A reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das cirurgias ortopédicas mais frequentes entre pessoas que sofrem lesões graves de joelho, sobretudo na prática esportiva. Depois do procedimento, uma etapa decisiva acontece longe dos olhos do paciente: o enxerto precisa se integrar aos túneis ósseos abertos no fêmur e na tíbia. Esse processo biológico leva semanas e influencia diretamente a resistência do novo ligamento. Um estudo experimental publicado no Journal of Orthopaedic Research avaliou se a oxigenoterapia hiperbárica (OHB), aplicada como recurso adjuvante no pós-operatório, poderia favorecer essa integração. Os resultados foram favoráveis, com uma ressalva essencial: a pesquisa foi feita em coelhos.

Modelo anatômico de joelho com representação do LCA diante de uma câmara hiperbárica em ambiente de pesquisa

Por que pesquisadores olham para a OHB em lesões ortopédicas

Na oxigenoterapia hiperbárica, o paciente respira oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, conforme o protocolo definido pelo médico. Esse aumento da oferta de oxigênio aos tecidos é o ponto de partida para o interesse científico em áreas nas quais a cicatrização depende de boa vascularização, como é o caso da interface entre tendão e osso após uma reconstrução ligamentar.

O uso da OHB em cicatrização de feridas é bem estabelecido na literatura médica, sempre como tratamento adjuvante indicado por médico. Já a aplicação em lesões do LCA permanece incerta, e foi exatamente essa lacuna que os autores do estudo se propuseram a explorar. Quem quiser entender melhor o papel adjuvante dessa terapia em outros contextos pode ler nosso conteúdo sobre oxigenoterapia hiperbárica como tratamento adjuvante.

Como o estudo foi conduzido

O trabalho, liderado por Chilan Bou Ghosson Leite e colaboradores, submeteu coelhos machos da raça Nova Zelândia a uma reconstrução do LCA. Depois da cirurgia, os animais foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos:

  • Grupo OHB: recebeu oxigênio a 100% a 2,5 atmosferas absolutas, por 2 horas diárias, durante 5 dias consecutivos, começando no primeiro dia após a operação.

  • Grupo ar ambiente: permaneceu em ar de sala comum durante todo o período de observação.

Doze semanas após a cirurgia, os joelhos foram analisados por ressonância magnética, por tomografia computadorizada quantitativa periférica de alta resolução (exame que mede densidade mineral óssea com grande detalhamento) e por testes biomecânicos, que medem a força suportada pelo enxerto até a falha.

O que os pesquisadores encontraram

O grupo tratado com oxigenoterapia hiperbárica apresentou maturação e integração superiores do enxerto em comparação ao grupo mantido em ar ambiente. Três conjuntos de achados sustentam essa conclusão.

Na ressonância magnética, o enxerto do grupo tratado mostrou menor intensidade de sinal, padrão associado a tecido mais maduro. Nas imagens de tomografia de alta resolução, os túneis ósseos femoral e tibial ficaram menores e os valores de densidade mineral óssea foram mais altos, o que indica melhor incorporação entre tendão e osso. Nos testes mecânicos, os enxertos do grupo OHB suportaram maior carga até a falha e apresentaram maior rigidez do que os do grupo controle.

Reunidos, os dados levaram os autores a concluir que o uso adjuvante da OHB melhorou a maturação e a integração do enxerto de LCA, reduziu o alargamento dos túneis ósseos e aprimorou as propriedades biomecânicas do enxerto naquele modelo animal.

Por que a integração do enxerto é tão relevante

Depois da cirurgia, o enxerto passa por um processo de remodelação até se comportar como um ligamento funcional. Quando a integração entre tendão e osso é insuficiente, as propriedades mecânicas ficam comprometidas justamente no período em que o paciente retoma carga e movimento. O alargamento dos túneis ósseos, por exemplo, é um fenômeno acompanhado de perto por cirurgiões de joelho.

Por isso, qualquer estratégia capaz de apoiar essa fase interessa à ortopedia e à medicina esportiva. O tema também aparece na rotina de atletas de alto rendimento, como mostramos no caso da recuperação de ferida antes das Olimpíadas de 2024.

Conclusão

O estudo publicado no Journal of Orthopaedic Research acrescenta uma peça promissora ao debate sobre recuperação após reconstrução do LCA: em coelhos da raça Nova Zelândia, a oxigenoterapia hiperbárica iniciada no pós-operatório imediato esteve associada a melhores marcadores de maturação, integração e resistência do enxerto. O próximo passo cabe à pesquisa clínica, que precisará verificar se esses sinais se traduzem em benefício para pacientes. Enquanto isso, a mensagem prática permanece firme e conhecida: a OHB é um tratamento adjuvante, indicado por médico, que caminha ao lado da cirurgia e da reabilitação. Vale lembrar também que a discussão sobre uso da câmara hiperbárica em recuperação de traumas já ocupa espaço no debate público, como no caso relatado por Jeremy Renner.

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Referências Científicas

• LEITE, Chilan Bou Ghosson; LEITE, Magno Santos; VARONE, Bruno Butturi; SANTOS, Gustavo Bispo dos; SILVA, Mariana dos Santos; PEREIRA, César Augusto Martins; LATTERMANN, Christian; DEMANGE, Marco Kawamura. Hyperbaric oxygen therapy enhances graft healing and mechanical properties after anterior cruciate ligament reconstruction: An experimental study in rabbits. Journal of Orthopaedic Research, 2024. DOI: 10.1002/jor.25787

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.

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