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Blog · 30 de setembro de 2026

Revisão sistemática reúne nove estudos sobre OHB na toxicidade tardia da radioterapia em câncer de mama

Equipe Oxy

A radioterapia é parte essencial do tratamento do câncer de mama. Ela reduz de forma substancial o risco de o tumor voltar na região operada e melhora a sobrevida. Em algumas pacientes, porém, surgem sequelas meses ou anos depois: é a chamada toxicidade tardia local da radioterapia. Ela pode trazer dor, fibrose (endurecimento do tecido), linfedema (inchaço causado pelo acúmulo de linfa) e limitação dos movimentos do braço. Uma revisão sistemática publicada em 2023 no periódico The Breast reuniu nove estudos, com 1.308 pacientes, sobre o uso da oxigenoterapia hiperbárica (OHB) nesse cenário. O trabalho encontrou redução significativa da dor em 4 de 5 estudos que avaliaram esse sintoma.

Paciente em sessão de oxigenoterapia hiperbárica em câmara monoplace, ilustrando a revisão sobre toxicidade tardia da radioterapia em câncer de mama

Como a revisão foi conduzida

Revisão sistemática é um tipo de pesquisa que localiza, seleciona e analisa, com método definido previamente, tudo o que foi publicado sobre uma pergunta científica. O trabalho foi conduzido por Meier e colaboradores, um grupo de pesquisadores dos Países Baixos, e registrado na base internacional PROSPERO antes de começar.

A busca, feita até setembro de 2021, cobriu quatro bases científicas: PubMed, Cochrane Library, Embase e Web of Science. Entraram apenas estudos com dez ou mais pacientes que avaliaram a OHB como tratamento principal das sequelas na mama ou na parede torácica. Dois revisores fizeram a seleção de forma independente.

Para medir a qualidade de cada trabalho, os autores usaram a ferramenta ROBINS-I (Risk Of Bias In Non-randomized Studies of Interventions). Ela estima o risco de viés, isto é, de distorções no resultado, em estudos não randomizados. Foram analisados dor, fibrose, linfedema, necrose (morte de tecido), problemas de pele e mobilidade de braço e ombro.

O que os nove estudos mostraram

Os nove trabalhos foram publicados entre 1995 e 2021. São dois ensaios clínicos randomizados (em que os participantes são distribuídos ao acaso entre os grupos), cinco estudos prospectivos e dois retrospectivos. O tamanho variou de 10 a 1.005 participantes, quase todas mulheres tratadas de câncer de mama. Como as medidas usadas eram muito diferentes, os autores apresentaram os resultados de cada estudo separadamente, sem combiná-los em um único cálculo.

Dor

A dor na mama, na parede torácica e no braço teve redução significativa em 4 de 5 estudos que a mediram. No maior deles, com 1.005 pacientes, a pontuação de dor em um questionário de qualidade de vida caiu de 43,4 para 30,5 pontos ao fim das sessões e ficou em 29,7 três meses depois. Em outro estudo incluído, a proporção de pacientes com dor intensa na mama passou de 66,7% para 14,5% ao término do tratamento. Com base nesses resultados, os autores concluem que a OHB pode ser eficaz para reduzir a dor na mama, na parede torácica e no braço.

Linfedema, fibrose e pele

O linfedema da mama ou do braço diminuiu de forma significativa em 4 de 7 estudos. Em um deles, a parcela de pacientes com inchaço intenso na mama passou de 44,6% para 12,7% ao término das sessões.

A fibrose apresentou redução significativa em um dos estudos que a avaliaram, com melhora mantida até 12 meses após o tratamento. Os problemas de pele na mama, como coceira, ressecamento e descamação, diminuíram significativamente em um de dois estudos.

Em um estudo retrospectivo sobre necrose de partes moles, 6 de 8 pacientes tiveram cicatrização completa após a OHB, associada em parte dos casos a cirurgias reconstrutivas.

Mobilidade de braço e ombro

Os dois estudos que avaliaram a mobilidade de braço e ombro registraram melhora significativa. Em um deles, a capacidade de afastar o braço lateralmente do corpo (abdução) passou de 90° para 165° ao fim das sessões. No outro, a proporção de pacientes com grande dificuldade para levantar o braço caiu de 44,6% para 22,2%.

Como eram as sessões nos estudos

Em todos os trabalhos, as pacientes respiraram oxigênio a 100% sob pressão de 2,4 ou 2,5 ATA. ATA significa atmosfera absoluta: esses valores equivalem a cerca de duas vezes e meia a pressão ao nível do mar. As sessões duravam de 80 a 90 minutos, e o número médio de sessões variou de 20 a 47.

Segundo a revisão, a OHB atua estimulando a formação de novos vasos sanguíneos e de colágeno, mobilizando células-tronco e reduzindo a inflamação. Seis estudos relataram efeitos adversos, como alterações visuais e cansaço, ambos reversíveis, além de barotrauma (lesão causada pela variação de pressão). Dois estudos não observaram nenhum efeito adverso. Em cada caso, o protocolo é definido pelo médico.

O peso da evidência e o próximo passo

A revisão descreve com transparência a base disponível. A maior parte dos estudos incluídos não tinha grupo controle e reunia amostras pequenas. Por isso, a ferramenta ROBINS-I classificou a maioria deles com risco de viés sério ou crítico. Os autores tratam essa evidência como um campo em construção. Como próximo passo, propõem ensaios randomizados maiores, que combinem medidas relatadas pelas pacientes e pelos médicos.

Os próprios autores destacam que as medidas relatadas pelas pacientes são as mais relevantes quando o objetivo é aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida, justamente o foco desses trabalhos. A OHB é usada há décadas no tratamento de sequelas tardias da radioterapia em outras regiões do corpo, como a cistite e a proctite actínicas (inflamações da bexiga e do reto causadas pela radiação). Esta revisão organiza o que já se sabe sobre a aplicação na mama.

Para uma visão mais ampla, leia também nossos conteúdos sobre OHB na toxicidade tardia da radioterapia em câncer e sobre oxigenoterapia hiperbárica no tratamento do câncer. Na mama, o sinal mais claro reunido até aqui é a redução da dor, observada em quatro dos cinco estudos que a mediram.

Conclusão

A revisão de Meier e colaboradores organiza nove estudos, com 1.308 pacientes, sobre a OHB na toxicidade tardia da radioterapia em câncer de mama. Os achados mais frequentes aparecem na dor, reduzida em 4 de 5 estudos, e na mobilidade de braço e ombro, que melhorou nos dois estudos que a avaliaram. Há também resultados favoráveis no linfedema, em 4 de 7 estudos.

Como tratamento adjuvante, a OHB é indicada pelo médico, em decisão individualizada tomada com a equipe de oncologia. A Oxy, fabricante brasileira de câmaras hiperbáricas monoplace, acompanha essa evidência em expansão. Ela aponta a OHB como possível aliada no alívio da dor e de outras sequelas tardias da radioterapia em pacientes com câncer de mama.

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Referências Científicas

• Meier EL, Mink van der Molen DR, Lansdorp CA, Batenburg MCT, van der Leij F, Verkooijen HM, Boonstra O, Hummelink S, Ulrich DJO. Hyperbaric oxygen therapy for local late radiation toxicity in breast cancer patients: A systematic review. The Breast. 2023;67:46-54. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9982272

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.

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