O nome pode soar técnico, mas o princípio por trás da câmara hiperbárica é elegante e bem fundamentado: ao respirar oxigênio puro em um ambiente pressurizado, o organismo absorve quantidades muito maiores desse gás, potencializando processos naturais de cura, regeneração e combate a infecções – mas como funciona uma câmara hiperbárica?
Para profissionais de saúde que desejam compreender a tecnologia antes de adotá-la, este artigo apresenta o funcionamento detalhado de uma câmara hiperbárica, seus fundamentos físicos e fisiológicos, e as principais aplicações clínicas baseadas em evidências.
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A Base Física: Leis de Henry e Boyle
Para entender a câmara hiperbárica, é preciso revisitar dois princípios fundamentais da física dos gases:
Lei de Henry: Quanto maior a pressão de um gás sobre um líquido, maior sua solubilidade nesse líquido. Na prática, isso significa que, dentro de uma câmara hiperbárica pressurizada a 2–3 ATM, o oxigênio se dissolve diretamente no plasma sanguíneo, sem depender da hemoglobina. Isso pode aumentar em até 20 vezes a quantidade de oxigênio disponível nos tecidos.
Lei de Boyle: O volume de um gás é inversamente proporcional à pressão. Este princípio é aplicado no tratamento de embolia gasosa: ao aumentar a pressão, bolhas de gás no sistema circulatório se comprimem e são mais facilmente reabsorvidas.
Esses dois princípios fundamentam toda a farmacologia da oxigenoterapia hiperbárica (OHB), uma modalidade terapêutica que consiste na oferta de oxigênio puro (FiO₂ = 100%) em ambiente pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica, habitualmente entre 2 e 3 atmosferas, conforme definição publicada na Revista da Associação Médica Brasileira (Rodrigues Junior & Marra, 2004, SciELO).
Tipos de Câmaras: Monoplace e Multiplace
Existem dois tipos principais de câmaras hiperbáricas em uso clínico:
Câmara Monoplace (monopaciente)
Projetada para atender um paciente por vez. É pressurizada diretamente com oxigênio 100%, de modo que o paciente respira o gás diretamente do ambiente da câmara. É o tipo mais difundido no mundo e, segundo publicação do Instituto Brasileiro de Educação e Pesquisa em Medicina Hiperbárica (IBEPMH), representa a maioria das câmaras em operação.
Vantagens: menor espaço físico necessário, operação simplificada, ideal para clínicas e consultórios que iniciam na medicina hiperbárica.
Câmara Multiplace (multipaciente)
Acomoda de 2 a 20 ou mais pacientes simultaneamente. É pressurizada com ar comprimido e o oxigênio puro é fornecido aos pacientes individualmente por máscaras ou capacetes. Permite a presença de equipe médica e equipamentos de UTI dentro da câmara durante o tratamento.
O Que Acontece Durante uma Sessão?
O protocolo padrão prevê sessões de 90 a 120 minutos, com pressões entre 2,0 e 3,0 ATM, definidas pelo médico hiperbarista conforme cada patologia. Uma sessão típica segue três fases:
- Pressurização: a câmara é lentamente pressurizada até o nível terapêutico. O paciente pode sentir leve pressão nas orelhas (similar ao que ocorre em aviões), aliviada pela manobra de Valsalva.
- Fase terapêutica: o paciente respira oxigênio puro na pressão máxima pelo tempo prescrito. O organismo absorve o gás em níveis significativamente maiores que o normal.
- Despressurização: a pressão é reduzida gradualmente, permitindo que o organismo se adapte com segurança ao retorno à pressão atmosférica.
Efeitos Fisiológicos e Mecanismos de Ação
A hiperóxia gerada pela OHB desencadeia uma cascata de respostas fisiológicas com valor terapêutico comprovado:
- Reversão da hipóxia tecidual: O oxigênio dissolvido no plasma chega a tecidos mal vascularizados onde a hemoglobina não consegue atuar.
- Angiogênese: Estimulada pela ativação da via HIF-1α como resposta à hipóxia relativa intermitente entre sessões.
- Efeito bactericida: Aumenta a atividade fagocitária dos leucócitos e potencializa a ação de antibióticos por sinergismo.
- Síntese de colágeno: Fibroblastos ativados produzem colágeno de forma mais organizada, melhorando a qualidade da cicatrização.
- Redução de edema: A vasoconstrição paradoxal induzida pela hiperóxia reduz o extravasamento de fluidos sem comprometer a oxigenação.
Indicações Reconhecidas e Regulamentação no Brasil
No Brasil, as indicações da OHB estão regulamentadas pela Resolução CFM nº 1.457/95. A Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica (SBMH) estabelece os critérios de classificação clínica, enquanto a ANVISA regula o registro dos equipamentos (Classe III — alto risco, conforme RDC nº 185/2001).
Desde 2010, a ANS inclui a OHB no Rol de Procedimentos de cobertura obrigatória para indicações específicas, o que amplia o acesso dos pacientes e facilita a viabilidade financeira de centros hiperbáricos.
Entre as principais indicações reconhecidas estão: feridas crônicas e pé diabético, osteomielite, lesões por radioterapia, embolia gasosa, intoxicação por monóxido de carbono, gangrena gasosa, infecções de sítio cirúrgico, entre outras.
Segurança e Contraindicações
A OHB é um tratamento seguro quando realizado em equipamentos certificados e sob supervisão médica adequada. Os efeitos adversos são raros e geralmente leves, como desconforto auricular, facilmente resolvido com a manobra de Valsalva. A contraindicação absoluta mais relevante é o pneumotórax não tratado.
As câmaras Oxy possuem regularização junto à ANVISA e certificação INMETRO, garantindo conformidade com os padrões sanitários e de segurança exigidos para dispositivos médicos de alto risco.
Conclusão
A câmara hiperbárica é uma tecnologia consolidada, regulamentada e com amplo respaldo científico. Seu funcionamento, fundamentado nas leis de Henry e Boyle, produz efeitos fisiológicos que vão da reversão da hipóxia tecidual ao estímulo direto à cicatrização. Para instituições de saúde, representa uma oportunidade concreta de expandir o portfólio de tratamentos e atender demandas clínicas complexas com eficácia comprovada.
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Referências Científicas
• Rodrigues Junior M, Marra AR. Quando indicar a oxigenoterapia hiperbárica? Rev Assoc Med Bras. 2004;50(3):229-251. SciELO.
• Chaviano-Moran R, et al. Hiperoxia: Mecanismo eficaz de tratamento com OHB. IBEPMH, 2024.
• Resolução CFM nº 1.457/95 — Conselho Federal de Medicina.
• ANVISA — RDC nº 185/2001 e RDC nº 50/2002.
• ANS — Resolução Normativa nº 211/2010.