A radioterapia é um dos pilares do tratamento oncológico moderno. Eficaz contra inúmeros tumores, ela salva vidas, mas pode deixar sequelas nos tecidos saudáveis que ficaram no campo de irradiação. Quando essas complicações se instalam, especialmente as tardias, o manejo clínico se torna um dos maiores desafios da oncologia.
A OHB em Complicações de Radioterapia surge como uma das principais ferramentas terapêuticas para essas situações. Neste artigo, exploramos as bases fisiopatológicas das lesões radioinduzidas, as evidências científicas disponíveis e as indicações clínicas que justificam o uso da câmara hiperbárica nesses casos.
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Como a Radioterapia Danifica os Tecidos Saudáveis?
A radiação ionizante, ao destruir células tumorais, também atinge os tecidos adjacentes. O dano se manifesta de duas formas principais:
Lesões agudas: ocorrem durante ou logo após o tratamento, com inflamação, mucosite, radiodermatite e fadiga. Geralmente reversíveis.
Lesões tardias (LENT — Late Effects on Normal Tissue): desenvolvem-se meses a anos após o término da radioterapia. São causadas por uma combinação de dano vascular (endarterite radioinduzida), hipoxia crônica dos tecidos e fibrose progressiva, condição descrita como ‘tríade hipóxia-hipovascularidade-hipocelalidade’ na literatura hiperbárica.
É exatamente nessa tríade que a OHB atua. Ao aumentar drasticamente os níveis de oxigênio nos tecidos, ela reverte a hipóxia crônica, estimula a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese) e promove a regeneração celular em áreas que, de outra forma, permaneceriam em estado de deterioração progressiva.
Osteoradionecrose: A Complicação Mais Temida
A osteoradionecrose (ORN) é uma das complicações tardias mais graves da radioterapia, especialmente frequente em pacientes tratados para tumores de cabeça e pescoço. Ela se caracteriza pela destruição progressiva do osso irradiado, com exposição através dos tecidos moles, dor crônica, risco de infecção e comprometimento funcional severo.
Uma revisão sistemática publicada na Cochrane (Bennett et al., PMC6457778, 2019) analisou 14 ensaios clínicos randomizados com 753 participantes e identificou evidência de qualidade moderada de que a OHB aumenta a probabilidade de cobertura mucosa na ORN (RR 1,3; IC 95% 1,1–1,6; NNT = 5). A mesma revisão mostrou que, sem a OHB, o risco de deiscência de ferida após cirurgia para ORN é significativamente maior (RR 4,2; IC 95% 1,1–16,8).
Um estudo retrospectivo tailandês publicado no NCBI (PMC6178923), conduzido na Universidade de Khon Kaen com 84 pacientes com ORN entre 2011 e 2017, demonstrou que a OHB como terapia adjuvante teve papel significativo na melhora da cicatrização de feridas em pacientes com ORN nos estágios 1 e 2. A análise também revelou que um maior número de sessões de OHB correlacionou-se com melhores desfechos (p=0,001).
Outras Complicações Tardias da Radioterapia Tratadas com OHB
Além da ORN, a OHB possui evidências de benefício para outras lesões radioinduzidas:
Cistite Actínica (retite e cistite por radiação)
Pacientes tratados com radioterapia pélvica para cânceres de próstata, reto, colo uterino e bexiga podem desenvolver cistite actínica, inflamação crônica da mucosa vesical com sangramento, dor e infecções recorrentes. A revisão Cochrane (2019) também identificou melhora significativa após OHB em pacientes com proctite actínica (RR 1,72; IC 95% 1,0–2,9).
Lesões de Tecidos Moles e Fístulas
Fístulas radioinduzidas e necrose de tecidos moles em campos irradiados respondem ao estímulo angiogênico e à melhora da oxigenação proporcionados pela OHB, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente e com protocolo adequado.
Prevenção de ORN antes de Procedimentos Dentários
Em pacientes que receberam altas doses de radiação na região de cabeça e pescoço, a extração dentária representa um risco elevado de osteoradionecrose. O uso profilático de OHB antes e após o procedimento é uma estratégia amplamente adotada em centros especializados, com suporte no protocolo de Marx para prevenção de ORN.
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Protocolo Típico de OHB para Lesões Radioinduzidas
Os protocolos mais utilizados internacionalmente para complicações de radioterapia preveem 20 a 30 sessões pré-operatórias e 10 sessões pós-operatórias (no caso de ORN com indicação cirúrgica), sob pressão de 2,4 ATM por 90 minutos cada. O estudo tailandês mencionado corrobora essa abordagem, identificando correlação direta entre número de sessões e qualidade da resposta terapêutica.
No Brasil, as lesões por radioterapia estão entre as indicações reconhecidas pela Resolução CFM nº 1.457/95 e pela ANS (RN nº 211/2010), o que garante a possibilidade de cobertura pelos planos de saúde.
Por Que Implementar a OHB para Pacientes Oncológicos?
Para hospitais e clínicas que atendem pacientes oncológicos, a oferta de OHB representa uma diferenciação assistencial significativa. Esses pacientes frequentemente enfrentam complicações difíceis de manejar com abordagens convencionais, e a câmara hiperbárica oferece um recurso terapêutico adicional com embasamento científico crescente.
Além do aspecto clínico, o tratamento de complicações tardias de radioterapia é coberto pela maioria dos planos de saúde, o que facilita a sustentabilidade financeira do serviço e amplia o acesso dos pacientes.
Conclusão
As complicações tardias da radioterapia representam um problema clínico sério, com impacto direto na qualidade de vida do paciente oncológico. A oxigenoterapia hiperbárica oferece um mecanismo de ação preciso, reverter a hipóxia crônica e estimular a angiogênese, com respaldo em ensaios clínicos multicêntricos e revisões sistemáticas. Para centros que tratam pacientes com câncer de cabeça e pescoço, urológico ou ginecológico, a OHB é um diferencial terapêutico que pode e deve ser considerado no arsenal clínico.
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Referências Científicas
• Bennett MH et al. Hyperbaric oxygen therapy for late radiation tissue injury. Cochrane Database Syst Rev. 2019. PMC6457778.
• Thongprasom K et al. Efficacy of Adjunctive Hyperbaric Oxygen Therapy in Osteoradionecrosis. NCBI PMC6178923, 2018.
• Forner LE, Dieleman FJ et al. Hyperbaric oxygen treatment in mandibular osteoradionecrosis: combined data from the DAHANCA-21 and NWHHT2009-1 trials. Radiother Oncol. 2022.
• Resolução CFM nº 1.457/95.
• ANS — Resolução Normativa nº 211/2010.