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Blog · 22 de outubro de 2026

Oxigenoterapia hiperbárica e ansiedade: o que revelam os ensaios em covid longa e estresse pós-traumático

Equipe Oxy

A relação entre oxigenoterapia hiperbárica (OHB) e sintomas emocionais já é investigada em ensaios clínicos randomizados. Em Israel, um estudo controlado com pacientes com covid longa registrou melhora de sintomas psiquiátricos após 40 sessões de OHB, com tamanho de efeito classificado como grande pelos autores. Pesquisas em transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) apontam na mesma direção. A seguir, mostramos o que esses trabalhos mediram, o que encontraram e de que forma a ansiedade aparece nos resultados.

Paciente adulto deitado em câmara hiperbárica monoplace, acompanhado por profissional de saúde em ambiente clínico

Quando a ansiedade acompanha alterações no cérebro

A ansiedade costuma ser tratada com psicoterapia e medicação, e esse continua sendo o caminho de base. Em alguns quadros, porém, os sintomas emocionais convivem com alterações cerebrais mensuráveis.

Na covid longa (sintomas que persistem por meses após a infecção pelo SARS-CoV-2), os mecanismos sugeridos incluem neuroinflamação, disfunção mitocondrial (falha das estruturas que produzem energia nas células) e lesão vascular com falta de oxigênio no tecido. Os autores do ensaio citam ainda um estudo anterior que registrou redução do fluxo sanguíneo em regiões frontais e temporais do cérebro desses pacientes.

No TEPT, a revisão sistemática publicada na Frontiers in Neurology reúne trabalhos de imagem que associam o transtorno a mudanças em estruturas como amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal, ligadas ao processamento do medo. Com base nesses achados, os autores defendem que o TEPT já não pode ser considerado uma condição estritamente psiquiátrica.

Oxigênio, pressão e neuroplasticidade

Na OHB, o paciente respira oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, conforme o protocolo definido pelo médico. Nos estudos descritos aqui, a pressão principal foi de 2 ATA (atmosferas absolutas, o dobro da pressão ao nível do mar).

Segundo os pesquisadores do ensaio em covid longa, a combinação de hiperóxia (excesso controlado de oxigênio) e pressão atua sobre genes sensíveis a esses dois estímulos. Os estudos pré-clínicos e clínicos que eles citam descrevem efeito anti-inflamatório, recuperação da função mitocondrial, formação de novos vasos (angiogênese) e aumento da perfusão cerebral. O conjunto desses efeitos é chamado de neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar.

O ensaio randomizado em covid longa

O estudo foi um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado com sham (sessão simulada, sem oxigênio terapêutico nem pressão efetiva), conduzido no Shamir Medical Center, em Israel, e publicado na Scientific Reports em 2022. Participaram 73 adultos com sintomas havia pelo menos três meses: 37 receberam OHB e 36, o procedimento simulado. O protocolo previa 40 sessões diárias de 90 minutos, cinco por semana, com oxigênio a 100% por máscara a 2 ATA e pausas de ar.

O valor d, usado abaixo, indica o tamanho do efeito: quanto maior, mais expressiva a diferença entre os grupos. Em comparação ao grupo simulado, o grupo tratado melhorou em:

  • função cognitiva global (d = 0,495; p = 0,038), com ganhos em atenção e função executiva;

  • energia (d = 0,522; p = 0,029) e qualidade do sono (d = −0,48; p = 0,042);

  • sintomas psiquiátricos medidos pelo BSI-18 (inventário breve de sintomas psicológicos), com d = 0,636 e p = 0,008;

  • interferência da dor nas atividades diárias (d = 0,737; p = 0,001).

Dentro do domínio psiquiátrico, depressão e somatização (sintomas físicos ligados ao sofrimento emocional) mostraram diferença significativa entre os grupos. A ansiedade melhorou de forma significativa no grupo OHB e permaneceu estável no grupo simulado, com a comparação direta entre os grupos próxima do limiar estatístico (p = 0,079).

A ressonância magnética mostrou aumento da perfusão e mudanças na microestrutura de regiões ligadas à cognição e à emoção, como a ínsula direita. Os efeitos colaterais foram semelhantes nos dois grupos (35,1% e 38,9%), e nenhum participante precisou interromper o tratamento por esse motivo.

Estresse pós-traumático em veteranos de combate

Um ensaio randomizado controlado com sham, publicado no Journal of Clinical Psychiatry em 2024, incluiu 63 veteranos do sexo masculino, de 25 a 60 anos, com TEPT associado ao combate. Concluíram o protocolo 56 participantes, 28 em cada grupo. Foram 60 sessões diárias de 90 minutos, com oxigênio a 100% a 2 ATA no grupo OHB e ar comum a 1,02 ATA no grupo simulado.

Na CAPS-5 (entrevista clínica que mede a gravidade do TEPT), a pontuação média do grupo OHB caiu de 42,57 para 25,8. A depressão melhorou de forma significativa tanto no inventário BDI-II quanto no domínio correspondente da DASS-21 (escala de depressão, ansiedade e estresse, com 21 itens). Nos domínios de ansiedade e estresse da DASS-21, as diferenças ficaram abaixo do limiar de significância estatística; o benefício registrado se concentrou nos sintomas do TEPT e na depressão. A ressonância funcional mostrou melhor conectividade nas três principais redes cerebrais avaliadas.

A revisão sistemática sobre TEPT

A revisão sistemática da Frontiers in Neurology, de 2024, analisou oito estudos com 393 participantes, sendo sete ensaios randomizados, todos classificados com qualidade boa a máxima pela escala PEDro (ferramenta que avalia o rigor metodológico). Seis estudos envolveram militares, e vários incluíam pessoas com concussão persistente, tema próximo ao uso da OHB em lesões cerebrais traumáticas leves.

Os autores observaram melhora estatisticamente significativa dos sintomas com 40 a 60 sessões, em pressões de 1,3 a 2,0 ATA, e uma relação dose-resposta: maior dose acumulada de oxigênio esteve associada a maior alívio. Nas doses mais altas, 30% a 39% dos participantes tiveram piora emocional intensa e reversível durante o tratamento, como o ressurgimento de memórias traumáticas, e todos concluíram o protocolo. Os demais efeitos foram leves e transitórios. Com base nesse conjunto, os autores recomendam a OHB como opção de tratamento para o TEPT.

Como esses dados se aplicam na prática clínica

A evidência atual está concentrada na covid longa e no TEPT, quadros em que os sintomas emocionais aparecem junto de alterações cerebrais visíveis em exames de imagem. Nesses cenários, a OHB pode auxiliar como tratamento adjuvante, sempre com indicação médica e integrada à psicoterapia, à medicação e ao acompanhamento multidisciplinar, lógica semelhante à descrita em nosso texto sobre a oxigenoterapia hiperbárica como tratamento adjuvante.

Os resultados descritos se referem a protocolos intensivos e padronizados, com 40 a 60 sessões diárias e pressão definida. Cabe ao médico avaliar cada caso e estabelecer o esquema adequado.

Conforto do paciente durante a sessão

Na revisão sistemática, a ansiedade de confinamento aparece entre os efeitos menores e pouco frequentes relatados em um dos estudos. Orientação prévia, apresentação do equipamento e comunicação contínua com a equipe ajudam o paciente a se sentir seguro desde a primeira sessão.

A Oxy é uma fabricante brasileira de câmaras hiperbáricas monoplace. Os modelos OXY 800 e OXY 1000 utilizam uma plataforma digital com controle e rastreabilidade dos ciclos, recurso útil para clínicas que trabalham com protocolos padronizados.

Conclusão

Em covid longa, um ensaio randomizado realizado em Israel registrou melhora de sintomas psiquiátricos, cognição, sono, energia e interferência da dor com OHB, acompanhada de mudanças na perfusão cerebral. Em estresse pós-traumático, um ensaio randomizado com veteranos e uma revisão sistemática de oito estudos apontam melhora consistente dos sintomas do transtorno, e o ensaio também documentou ganho em depressão. A ansiedade aparece como parte desse quadro em melhora, com evidência em expansão que abre caminho para o uso adjuvante da oxigenoterapia hiperbárica em neurologia e saúde mental, sempre sob indicação médica.

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Referências Científicas

• Hyperbaric oxygen therapy improves neurocognitive functions and symptoms of post-COVID condition: randomized controlled trial. Scientific Reports, 2022. Registro ClinicalTrials.gov NCT04647656. Disponível em: PMC9276805.

• Ensaio randomizado controlado com sham de oxigenoterapia hiperbárica em veteranos com TEPT associado ao combate. Journal of Clinical Psychiatry, 2024. Registro ClinicalTrials.gov NCT04518007. PMID 39566051. Disponível em: PubMed.

• Systematic review and dosage analysis: hyperbaric oxygen therapy efficacy in the treatment of posttraumatic stress disorder. Frontiers in Neurology, 2024. PMID 38882688. DOI: 10.3389/fneur.2024.1360311. Disponível em: PMC11179433.

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.

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