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Blog · 25 de setembro de 2026

Oxigênio hiperbárico e cicatrização de ligamentos: o que mostrou um estudo em ratos

Equipe Oxy

Um estudo experimental publicado no Journal of Orthopaedic Research avaliou como diferentes esquemas de oxigênio hiperbárico influenciam a cicatrização de ligamentos lesionados em ratos. Os pesquisadores observaram que os animais tratados tiveram cicatrização ligamentar superior à do grupo controle. O esquema de 2 ATA por 60 minutos foi o que apresentou o melhor desempenho. A seguir, explicamos como o trabalho foi conduzido, o que ele mediu e como ler seus achados dentro do contexto de uma pesquisa em animais.

Câmara hiperbárica monoplace Oxy em ambiente clínico, com a cápsula transparente e o painel de controle ao lado

Como o oxigênio hiperbárico atua

Na oxigenoterapia hiperbárica, o paciente respira oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, conforme o protocolo definido pelo médico. Os autores do estudo descrevem o método como uma forma de aumentar, de maneira intermitente, a disponibilidade de oxigênio para os tecidos.

A pressão é expressa em ATA (atmosfera absoluta), unidade que indica a pressão total a que o organismo está submetido. Ao nível do mar, respiramos a 1 ATA. Nas sessões terapêuticas, a pressão fica acima desse valor, e cada protocolo combina uma pressão específica com um tempo de exposição.

O que é um ligamento

Ligamento é uma faixa de tecido fibroso que une um osso a outro e dá estabilidade às articulações. Sua estrutura depende em grande parte do colágeno, a proteína que confere resistência aos tecidos de sustentação do corpo. Por isso, a produção de colágeno é um dos indicadores mais usados pelos pesquisadores para acompanhar a reparação desse tecido.

Como o estudo foi desenhado

A equipe liderada por Ishii trabalhou com 44 ratos machos da linhagem Wistar, uma linhagem muito usada em pesquisa de laboratório. Todos tiveram uma lesão controlada em um ligamento da pata traseira direita. Em seguida, os animais foram divididos em quatro grupos:

  • Grupo controle: respirou ar ambiente a 1 ATA, dentro da câmara hiperbárica, por 60 minutos.

  • Primeiro grupo tratado: oxigênio hiperbárico a 1,5 ATA por 30 minutos, uma vez ao dia.

  • Segundo grupo tratado: oxigênio hiperbárico a 2 ATA por 30 minutos, uma vez ao dia.

  • Terceiro grupo tratado: oxigênio hiperbárico a 2 ATA por 60 minutos, uma vez ao dia.

O desenho permitiu comparar o efeito da terapia com a ausência dela e, ao mesmo tempo, verificar como a pressão e a duração da sessão alteravam o resultado. Manter o grupo controle dentro da própria câmara, respirando ar comum, ajudou a isolar o papel do oxigênio sob pressão.

Quatorze dias após a lesão, os ligamentos foram examinados sob três ângulos: a aparência a olho nu, a histologia (análise microscópica do tecido) e a expressão do RNA mensageiro pró-alfa(I). Essa molécula carrega a instrução para a produção do colágeno tipo I e foi medida por hibridização northern, uma técnica laboratorial que detecta RNA específico nas amostras.

O que os pesquisadores encontraram

Segundo os autores, o oxigênio hiperbárico foi eficaz em promover a cicatrização do ligamento em comparação com o grupo controle, com p < 0,01. Esse valor estatístico indica que a diferença observada entre os grupos dificilmente se explica pelo acaso.

Entre os três esquemas testados, o de 2 ATA por 60 minutos foi o mais eficaz. Nesse grupo, os pesquisadores registraram maior deposição de matriz extracelular, que é o “arcabouço” de proteínas em que as células do tecido se organizam, medida pela síntese de colágeno.

O papel da dose

O resultado mais interessante para quem acompanha a pesquisa em medicina hiperbárica está na comparação entre os esquemas. Ao testar pressões e tempos diferentes, o estudo mostrou que, nesses animais, a combinação de maior pressão com sessão mais longa gerou a resposta mais expressiva na produção de colágeno. Esse tipo de informação ajuda a compreender por que a definição de pressão e duração faz parte do planejamento de qualquer protocolo hiperbárico.

Como interpretar um estudo em animais

Pesquisas pré-clínicas, feitas em laboratório e com animais, são uma etapa fundamental da ciência médica. Elas permitem controlar variáveis com precisão, como o tipo de lesão, o momento da avaliação e o esquema de tratamento. Também permitem examinar o tecido diretamente, algo que raramente é possível em pessoas.

Por isso mesmo, os achados desse trabalho descrevem o que aconteceu com os ratos avaliados, em lesões induzidas experimentalmente e analisadas após 14 dias. A tradução desses resultados para seres humanos pertence ao campo da pesquisa clínica, e a indicação da oxigenoterapia hiperbárica para qualquer paciente é sempre uma decisão médica, como tratamento adjuvante.

Se você quer conhecer aplicações da terapia estudadas diretamente em pessoas, veja os conteúdos sobre como a oxigenoterapia hiperbárica potencializa resultados pós-cirúrgicos e sobre reabilitação pós-AVC. Cada um deles trata de sua própria população e do seu próprio desenho de estudo.

A tecnologia por trás das sessões

A precisão que o estudo exigiu, com pressões e tempos bem definidos para cada grupo, também é uma exigência da prática clínica. A Oxy, fabricante brasileira de câmaras hiperbáricas monoplace, desenvolve equipamentos voltados para que o médico possa aplicar o protocolo prescrito com controle da pressão e da duração de cada sessão.

Conclusão

O estudo de Ishii e colaboradores mostrou que, em 44 ratos com lesão ligamentar induzida, o oxigênio hiperbárico favoreceu a cicatrização em comparação com o grupo controle. O esquema de 2 ATA por 60 minutos se destacou pela maior deposição de matriz extracelular, medida pela síntese de colágeno. Trata-se de um resultado pré-clínico consistente dentro do seu desenho, que contribui para o conhecimento sobre como o oxigênio sob pressão atua na reparação de tecidos. São evidências experimentais favoráveis que abrem caminho para a pesquisa clínica sobre lesões ligamentares.

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Referências Científicas

• Ishii Y, Ushida T, Tateishi T, Shimojo H, Miyanaga Y. Effects of different exposures of hyperbaric oxygen on ligament healing in rats. Journal of Orthopaedic Research. 2002. DOI: 10.1016/s0736-0266(01)00094-8. PMID: 11918316. URL: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1016/S0736-0266(01)00094-8

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.

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