Preenchimentos faciais e fios de sustentação, conhecidos como thread lifts, estão entre os procedimentos estéticos minimamente invasivos mais procurados atualmente. Complicações vasculares e infecciosas são incomuns, mas quando acontecem exigem resposta rápida e coordenada. Um artigo publicado em 2022 na revista Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology descreve três pacientes em que a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) foi somada a antibióticos e a terapias sintomáticas, com evolução favorável das lesões ao longo do acompanhamento clínico. É esse estudo que analisamos aqui.

O crescimento dos procedimentos minimamente invasivos
O próprio estudo contextualiza o cenário com dados da American Society of Plastic Surgeons: os procedimentos estéticos minimamente invasivos cresceram 174% desde os anos 2000, e os preenchedores de tecido mole respondem por cerca de 25% do total. Com a popularização, aumenta também o interesse de médicos e pacientes por condutas bem definidas para os casos em que algo sai do esperado, como oclusão vascular, infecção local ou inflamação persistente.
O que o estudo avaliou
A publicação, conduzida por Oley e colaboradores, é um relato de três casos, ou seja, uma descrição detalhada do que ocorreu com três pacientes específicas atendidas por complicações de procedimentos estéticos faciais. Todas eram do sexo feminino, com idades entre o final da casa dos 20 e meados dos 50 anos.
Os quadros descritos foram os seguintes:
-
Uma paciente evoluiu com infecção na glândula parótida (glândula salivar localizada na região lateral da face) associada a um preenchedor de extrato placentário.
-
Outra desenvolveu quadro semelhante após aplicação de ácido hialurônico.
-
A terceira apresentou excoriação e inflamação bilateral na face após um procedimento com fios de sustentação.
Em todas elas, o tratamento combinou antibióticos e terapias sintomáticas convencionais com múltiplas sessões de OHB, cada uma com 90 minutos de duração a 2,4 ATA (atmosferas absolutas, unidade que expressa a pressão dentro da câmara), ao longo de um período de uma a duas semanas.
O papel da oxigenoterapia hiperbárica nos casos descritos
Na oxigenoterapia hiperbárica, o paciente respira oxigênio a 100% em ambiente pressurizado, conforme o protocolo definido pelo médico. Esse aumento da oferta de oxigênio aos tecidos é justamente o ponto explorado pelos autores.
Segundo o relato, a OHB contribuiu para restaurar a perfusão tecidual adequada, isto é, a chegada de sangue e oxigênio aos tecidos, nos casos de oclusão vascular e infecção associados ao preenchedor. Já na paciente que apresentou complicação após os fios de sustentação, a terapia auxiliou na recuperação da lesão tecidual e na redução do processo inflamatório, com cicatrização progressiva das feridas durante o seguimento.
Os autores classificam a OHB nesses três casos como adjuvante terapêutico, uma terapia complementar às condutas médicas já estabelecidas. Ela entrou no cuidado ao lado da antibioticoterapia sistêmica e das demais medidas necessárias, nunca como substituta do desbridamento cirúrgico ou de qualquer outra intervenção indicada pela equipe assistente. Esse mesmo enquadramento aparece em outras especialidades, como explicamos no conteúdo sobre a OHB como tratamento adjuvante na visão do infectologista.
O que uma série de três casos permite afirmar
Nomear o desenho do estudo é parte de uma leitura honesta da evidência. Uma série de casos descreve o que aconteceu com aquelas pacientes, sem grupo de comparação e sem os elementos metodológicos de um ensaio clínico controlado. Por isso, o relato de Oley e colaboradores fala da experiência dessas três mulheres, e não de um resultado esperado para a população em geral.
Dentro desse limite, o valor do artigo é concreto: ele documenta, com protocolo descrito em detalhe (pressão, duração e número de sessões), como a OHB foi integrada ao manejo de complicações estéticas em situações reais, com desfechos favoráveis nas três pacientes. É esse tipo de registro que orienta condutas clínicas e alimenta uma literatura em expansão sobre o tema, na qual relatos e séries de casos predominam hoje.
O interesse crescente da comunidade médica por essa frente ficou visível também em eventos científicos nacionais, como mostramos no post sobre a primeira mesa 100% dedicada à oxigenoterapia hiperbárica no maior congresso de vascular da América Latina.
Por que isso importa para clínicas e pacientes
Complicações vasculares e infecciosas ligadas a preenchedores e fios de sustentação pedem decisão rápida e trabalho multidisciplinar. Ter à disposição uma estrutura de medicina hiperbárica amplia o leque de recursos que o médico pode acionar dentro de uma abordagem combinada, com indicação, pressão e número de sessões definidos caso a caso.
Vale lembrar que a decisão sobre iniciar a OHB é sempre médica e considera o quadro clínico completo, incluindo eventuais contraindicações. O papel do equipamento é oferecer condições seguras e rastreáveis para que o protocolo prescrito seja cumprido com precisão.
Conclusão
O estudo de Oley e colaboradores descreve três pacientes com complicações após preenchimento facial e fios de sustentação que evoluíram favoravelmente com um tratamento combinado em que a oxigenoterapia hiperbárica atuou como adjuvante, em sessões de 90 minutos a 2,4 ATA. São resultados que abrem caminho e que, somados a outros relatos clínicos, consolidam o interesse da medicina estética pela OHB dentro de protocolos multidisciplinares bem conduzidos.
Quer entender como uma câmara hiperbárica monoplace pode integrar a estrutura da sua clínica? Fale com a equipe Oxy, fabricante brasileira de câmaras hiperbáricas monoplace: clique aqui
Quer se aprofundar no tema? Reunimos este e outros estudos científicos sobre OHB em um e-book com resumos de objetivo, método, resultados e conclusão de cada artigo: acesse o material.
Referências Científicas
• Oley MH, Oley MC, Mawu FO, Aling DMR, Faruk M. Hyperbaric Oxygen Therapy in Managing Minimally Invasive Aesthetic Procedure Complications: A Report of Three Cases. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2022;15:63-68. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8765711/
• Dados de crescimento dos procedimentos minimamente invasivos atribuídos à American Society of Plastic Surgeons, conforme citados no artigo de Oley e colaboradores (2022).
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica; a indicação da oxigenoterapia hiperbárica é ato médico.